Qual o valor do meu trabalho?



Qual o valor do meu trabalho? 

Hoje o Bendita Dica, traz outra faceta sua, a Bendita Reflexão, que não vai trazer as  respostas objetivas que a Bendita Dica traz, mas com certeza vai fazer você pensar em novas  perguntas. 

Nesse momento, embora pareça que vamos falar somente da prestação de serviços, na  minha visão, o produto mais difícil de precificar, vamos falar também para quem vende  produtos. 

Eu, que já transitei no mundo de empregadora, empregada, advogada, instrutora de  yoga, professora universitária, aluna, autodidata, fui pesquisadora bolsista, estagiária,  produtora de conteúdo, sócia de agência de marketing, faço palestras de Direito, treinamento  em marketing para empresas, cuido de plantas, das nossas mascotes Pitty e Hope e me vejo  cada vez mais apaixonada pelo Google ADS... 

Eu, esse ser totalmente inquieto, posso dizer uma coisa: 

Todos nós somos prestadores de serviço. Sim! 

Você acha que é empresário? Acredita mesmo que o seu lucro é calculado pelo valor  que você revende? Sério? 

Agora que você ficou pensando, vamos lá!  

O tempo que você dedica para pesquisar os produtos, efetuar as compras, distribuir  tarefas, supervisionar sua equipe, buscar novos clientes, manter-se atualizado, treinar equipe,  pagar impostos, despesas, mas sem esquecer de voltar e fazer tudo isso outra vez, outra vez... 

Então, daqui para a frente estamos juntos, prestadores de serviços e empreendedores,  autônomos, empresários, estagiários e todos que trabalham, inclusive em trabalho voluntário. 

Você já chegou a calcular quanto custa o teu tempo dedicado ao trabalho? Recentemente ouvi essa pergunta mais uma vez, mas ela finalmente ficou clara. Eu não sei.  

Culturalmente e historicamente, os brasileiros não costumam valorizar o seu trabalho,  embora seja um povo extremamente trabalhador. Mas já está na hora de mudarmos isso. 

Você pode fazer a boa e velha fórmula de dividir seus lucros ou o seu salário pelo número de horas trabalhado (olha a “profe” de Direito do trabalho falando...hehehe) e dizer que sabe  o valor da remuneração da sua hora, mas eu tenho certeza que você não vai saber quanto vale  o seu trabalho. 

Realmente este valor que você obteve fazendo a continha ali, paga o tempo que você está vendendo?  (Tenho certeza que muitos  fizeram, só por curiosidade. ?

Quanto vale as horas com teus filhos, com pets, lendo um livro ou simplesmente  relaxando? Aqueles inúmeros contatos profissionais que não respeitam mais essa divisão de  trabalho e vida? A noite não existe, finais de semana desapareceram. 

Hoje você não vende mais a sua força de trabalho, você vende a sua vida.


Talvez seja pandemia? Ou as vidas perdidas deste ano? O isolamento? Ou simplesmente uma reflexão sem sentido?  


Nos constantes e paralelos estudos sobre o Trabalho e Marketing, consulta de métricas  e estatísticas consigo observar tão claramente que a forma de precificar o trabalho já deveria  ter mudado há muito tempo. 

Não estou aqui pregando o aumento de preços de produtos e serviços, mas isso também não me parece errado.

Será? 

Há alguns anos vem se pregando a diminuição do consumo como forma de conter a  escassez de recursos naturais, em seguida veio a reflexão sobre uma vida mais simples,  sustentabilidade e fomos repentinamente obrigados a deixar de consumir tanto quanto  estávamos acostumados, e, paralelamente, alguma coisa mudou. 

Os hábitos de consumo mudaram, os valores mudam, pessoas querem sair dos seus  apartamentos e ir para casa, outros decidem deixar a cidade e viver no campo, muitos foram  obrigados a mudar de profissão e não querem voltar ao modelo antigo, tanta gente qualificada  desempregada se reinventando ou redescobrindo. 

O home office também mudou muitas velhas crenças, as pessoas tornaram-se mais  íntimas, apesar da distância, compartilhamos nossas rotinas, precisamos buscar fórmulas de  divisão de vida e trabalho e passamos a entender o valor real do nosso tempo. 

Não é preciso que eu comece a cobrar mais, posso realizar meu trabalho de forma  objetiva e rápida, sem interrupções e fazer meu horário ter muito mais valor. 

E se eu entender que o trabalho do outro também tem valor, vou aprender a valorizar  o tempo dele e assim, criaríamos um impulso positivo em todos setores, desde a economia até  a ecologia. 

Quem sabe poderíamos formar uma equipe? Criando um círculo virtuoso? Ou isso pode ser só uma forma de aliviar a tensão, imaginando um mundo ideal?